1. Contexto do Projeto
O controle logístico da transportadora baseava-se em planilhas estáticas e sistemas de rastreamento isolados. O principal problema era a falta de um diagnóstico rápido sobre a performance de entregas (SLA) e a eficiência financeira das viagens.
Com frotas de diferentes fabricantes (Ford, Iveco, Mercedes-Benz, Scania, Volkswagen e Volvo) e variados tipos de veículos (3/4, Carreta, Toco, Truck e VUC), a diretoria necessitava de uma visão consolidada que mostrasse não apenas o faturamento, mas se a operação estava entregando no prazo e qual era o impacto disso na rentabilidade.
2. Objetivos do Projeto
O projeto visava centralizar os indicadores de transporte, focando em:
- Monitoramento de Entregas: Acompanhar o índice de "% Viagens no Prazo", essencial para avaliar o cumprimento do SLA contratual.
- Análise de Receita e Lucro: Visualizar os resultados financeiros consolidados por ano, mês, marca do veículo e tipo de frota.
- Eficiência Operacional: Mensurar a quilometragem rodada total e cruzar com o número de viagens, a fim de identificar potenciais ociosidades ou gargalos na roteirização.
3. Visão Geral do Dashboard
A interface do Dashboard Logístico foi projetada com foco em leitura rápida e clara, dividindo a tela em áreas estratégicas:
- Painel Superior de KPIs: Destaca a Receita (R$ 13.5M no período total), o Lucro (R$ 11.5M), os Km Rodados (449 mil) e a Quantidade Total de Viagens (58.980).
- Menu Lateral de Navegação: Permite o cruzamento por anos (2018/2019) e meses de forma dinâmica.
- Gráfico de Viagens por Mês: Exibe as flutuações e sazonalidades no volume de transportes (ex: pico em julho).
- Medidor de SLA (% Viagens no prazo): Gauge visual focado em monitorar a taxa de entregas dentro do estipulado.
- Matriz de Desempenho por Frota: Detalhamento financeiro da Receita e Viagens cruzando Fabricante com o Tipo de Veículo (ex: Mercedes-Benz Truck vs. Toco).
Perspectivas Integradas
Análise de Desempenho (SLA)
O principal ofensor da operação revelado no dashboard é o índice de % de Viagens no Prazo. Avaliando o acumulado, a taxa ficou em 40,57%. Em 2018 foi de 36,24% e em 2019 de 43,48%.
Isso demonstra uma operação severamente defasada logisticamente. O não cumprimento das metas estipuladas de 65% indica graves problemas na roteirização, manutenção da frota ou gargalos na coleta e descarga.
Rentabilidade por Frota
Através da matriz de "Marca x Receita", identificamos que veículos da marca Mercedes-Benz (com 16.482 viagens) são os maiores geradores de receita bruta, especialmente nos modelos "Toco" e "Truck".
A alta margem de lucro (Lucro sobre Receita) aponta que, mesmo com atrasos significativos, o preço dos fretes está cobrindo amplamente os custos operacionais (combustível, pedágios, folha). No entanto, o atraso prolongado é um risco sistêmico.
Perspectiva de Compliance e Contratual
Um SLA operando abaixo de 50% expõe fortemente a empresa a penalidades contratuais.
Nota Analítica: Clientes B2B costumam inserir multas sobre fretes atrasados. Embora a margem financeira (Lucro R$ 11.5M) aparente solidez, é preciso que a controladoria cruze esses dados com o contas a pagar de multas logísticas. O dashboard serve como pilar para negociações de prazos mais realistas junto à área comercial.
Resultados e Aprendizados
A visualização rápida e dinâmica permitiu transformar dados de viagens em planos de ação corretivos:
Diagnóstico de Gargalos
A capacidade de filtrar rapidamente anos e meses revelou que o baixo SLA não foi uma anomalia mensal, mas um problema crônico na operação.
Foco na Otimização
O cruzamento entre a quantidade de viagens e a quilometragem servirá de base para futuros projetos de eficiência de rota em Power BI.
Próximos Passos: Inserir custos com manutenção e abastecimento para obter uma visão DRE completa da frota, e mapear geograficamente (via mapas) as rotas com maior índice de atraso.